MEE, um golpe de estado em 17 países
Por Rudo de Ruijter,
Investigador independente
Países Baixos
8 Outubro 2011
Nota preliminar: Não confundir o MEE com os
actuais fundos de socorro europeus, o MESF e o FESF.
Como mencionado no artigo anterior sobre este assunto,
"MEE, o novo ditador europeu" , os ministros das Finanças dos 17 países do
euro assinaram um tratado para o estabelecimento do Mecanismo Europeu de
Estabilidade (MEE). O seu objectivo é fazer com que os cidadãos europeus paguem
as centenas de milhares de milhões de euros dispendidos com "acções de socorro"
para salvar o euro e estrangular qualquer possibilidade de intervenção dos
parlamentos.
Bruxelas, aparentemente, não quer que os cidadãos tomem conhecimento do conteúdo
deste tratado. Até o dia da redacção deste artigo, não pude encontrar senão uma
única
versão em inglês na Internet (mas 96,5% da população da zona euro fala
outras línguas!).

Curiosamente, tão pouco a assinatura deste novo tratado europeu foi notada
pela imprensa internacional – apesar das dezenas de jornalistas que estiveram
presentes na conferência de imprensa que o anunciou (ver foto acima). Talvez
porque Juncker o tenha anunciado rapidamente em francês, antes de prosseguir a
conferência em inglês (?). Além disso, muitos jornalistas ainda confundem este
novo tratado MEE com os seus antecessores (ilegais), o Mecanismo Europeu de
Estabilidade Financeira e o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. Eles são
mais conhecidos pelos seus nomes em inglês: European Financial Stabilisation
Mechanism (EFSM) e European Financial Stability Facility (EFSF). O EFSM / EFSF
têm uma capacidade de empréstimo de €1.000 mil milhões (3.300 euros por
euro-cidadão!). O MEE não tem limite.
Alguns parlamentares que ouviram falar do MEE acreditam erradamente que mantêm o
poder através do seu ministro das Finanças. Contudo, como este último será
promovido a governador do MEE, ele não terá mais contas a prestar ao parlamento
nacional (nem a quem quer que seja) quanto às decisões que tomar no quadro do
MEE. Se o Parlamento ratificar o tratado, é este tratado internacional que
tornará prioritário em relação às legislações nacionais.
No momento em que escrevo, o tratado ainda
deve ser ratificado pelos Parlamentos nacionais em todos os 17 países, a menos
que isto já tenha sido feito aqui e ali de modo silencioso.
Video
3.5 minutes:
"MEE, o novo ditador europeu"
:
http://www.youtube.com/watch?v=EIHC34exwZ4
MEE, um golpe de estado em 17 países
Se por golpe de estado entendermos a tomada do poder real e a limitação do
poder do Parlamento nacional democraticamente eleito, então o tratado do MEE é
um golpe de estado nos 17 países simultaneamente.

Isto está inteiramente de acordo com a filosofia da Comissão Europeia.
Segundo o seu presidente Barroso, deve ser o governo económico da União
Europeia, que deve definir as acções que os governos nacionais devem executar .
(28/Set/11)
[1]
O Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) não é tanto um mecanismo e sim
uma nova administração da União Europeia. O objectivo declarado é fornecer
empréstimos (sob condições estritas) a países do euro que já não podem cumprir
suas obrigações financeiras. Ele retomará as tarefas do EFSF e do EFSM
mencionadas acima e será gerido por um Conselho de Governadores. Estes serão os
17 ministros das Finanças dos países do euro situados na União Europeia.
O tratado do MEE diz, no seu artigo 8, que este órgão disporá de um capital
social de 700 mil milhões de euros. A seguir, no seu artigo 19, precisa-se que o
Conselho dos Governadores pode decidir mudar este montante e, em consequência,
adaptar o artigo 8. No artigo 9 é dito que o Conselho dos Governadores pode
exigir a qualquer momento a entrega do capital social ainda não pago (e isto em
menos de 7 dias). De facto, diz-se que o MEE pode exigir dinheiro dos países
membros de modo ilimitado. O tratado não prevê direito de veto para os
Parlamentos nacionais.
Unânime
Segundo o artigo 5.6 o Conselho dos Governadores deve tomar as decisões acima
por unanimidade. Todo o Conselho deve portanto votar "a favor".
A primeira vista é muito estranho que o funcionamento do tratado dependa
inteiramente da unanimidade dos 17 ministros das Finanças da zona euro. Quando
se vê quantos esforços são precisos neste momento para a conclusão de um acordo
sobre a entrega de empréstimos já prometidos à Grécia, não seria de esperar que
a União Europeia construísse um tratado que parte exactamente do princípio de
que esta unanimidade existe ou pode ser conseguida.
A zona euro consiste num reflexo variegado da diversidade da Europa: os Países
Baixos, a Bélgica, o Luxemburgo, a Alemanha e a França e depois a Irlanda,
Portugal, Espanha, Itália, Malta, Grécia, Eslováquia, Eslovénia e finalmente a
Estónia e a Finlândia. De facto, os 17 ministros formam igualmente uma companhia
variegada. Cada um deles representa um país com interesses diferentes. E deles
se espera a unanimidade? Como é possível?
Para compreender isso devemos olhar um pouco mais longe. No MEE são realmente os
17 ministros das Finanças que votam todas as decisões importantes, mas ainda há
outras pessoas que estão presentes em todas as suas reuniões, oficialmente como
"observadores". Por que estes ministros têm necessidade de observadores? Para
verificar se fazem bem o que deles se espera?
Os referidos observadores são em número de três:
-
o membro da Comissão Europeia que
está encarregado dos assuntos económicos e monetários;
-
o presidente do Grupo Euro (um
clube informal destes 17 ministros das Finanças);
-
e o presidente do Banco Central
Europeu!
[2]
Portanto, se podemos esperar uma unanimidade espontânea dos 17 ministros das
Finanças, será a influência exercida por estes observadores que os chegará a
pô-los de acordo. Para compreender que influência a Comissão Europeia e o Banco
Central Europeu podem exercer sobre os nossos ministros, olhemos as coisas um
pouco mais de perto.
Quem são ministros das Finanças?
Em geral são pessoas que vão e vêm. Mais frequentemente eles são nomeados após
eleições parlamentares, que desembocam primeiro sobre negociações para formar
uma coligação maioritária a expensas das promessas eleitorais e que são seguidas
por pressões para o preenchimento das pastas importantes, como o Ministério do
Interior, da Economia e das Finanças.
Trata-se, mais habitualmente, de pessoas que ambicionam uma carreira política e
que foram promovidas por partidos políticos. No caso favorável, elas dispõem de
capacidades para conduzir um ministério. Uma tal pessoa pode ter a direcção da
Defesa e depois, em outra ocasião, ser nomeado ministro da Educação ou dos
Assuntos Sociais. O conhecimento do assunto é geralmente considerado menos
importante do que as capacidades dirigentes.
A Economia não são as Finanças
Assim, temos nos Países Baixos um ministro das Finanças, Jan Kees de Jager, que
está coberto de diplomas de economia, mas que, inicialmente, dava pouca
impressão de compreender alguma coisa de finanças. Uma das suas primeiras ideias
foi propor uma lei que devia proibir estimular as pessoas a retirarem o seu
dinheiro do banco. Jan Kees, os bancos não têm dinheiro! Para cada euro que os
clientes de um banco como o ING (o maior banco holandês) têm nas suas contas, o
banco não tem senão 3 centimos à disposição. Ninguém iria fazer fila por isso,
não é? E depois, se o banco central não quer que um banco caia, este pode
facilmente resistir a uma "run on the bank" com o dinheiro que lhe é emprestado.
Os ministros das Finanças recem-nomeados geralmente estão loucos de alegria por
terem conseguido chegar tão longe nas suas carreiras. Contudo, eles chegam a um
mundo de que conhecem pouco ou nada. É o pequeno mundo influente das
instituições financeiras internacionais e dos números com zeros infindáveis. Um
momento de desatenção basta para que se enganem em dezenas de milhares de
milhões de euros (o primeiro-ministro holandês Rutte e Jan Kees de Jager
enganaram-se em 50 mil milhões de euros no quadro dos fundos de socorro
europeus)
[3] . Estes ministros novos são presas fáceis para os conselheiros do BCE e
do FMI, que lhe vêem explicar como as coisas funcionam e o que se espera de um
bom ministro das Finanças.
Na medida em que estes ministros das Finanças tenham conhecimentos de base em
economia, eles poderiam saber que a experiência do euro está votada ao fracasso.
Isto já era conhecido em 1970 no arranque do projecto, mas banqueiros e
políticos teimosos avançaram com a moeda única apesar de tudo. O problema é que
uma moeda única não pode funcionar senão num território económico homogéneo. [4]
[5] [6] Eis porque:
A prisão das taxas de câmbio fixas
Quando consumidores, nos países com possibilidades de produtividade mais
reduzidas, preferem comprar produtos importados menos caros e melhores, a dívida
externa aumenta. Ao mesmo tempo, a produtividade no interior do país diminuirá.
Se o país dispuser da sua própria moeda, ele pode desvalorizá-la. Isso torna os
produtos de importação mais caros para a sua própria população e os produtos de
exportação menos caros para os compradores estrangeiros. A dívida diminuirá e a
produtividade aumentará. As desvalorizações eram correntes antes do começo do
euro. Agora, com o euro, isso funciona como uma taxa de câmbio bloqueada. Os
países menos produtivos são capturados como ratos numa ratoeira. Eles jamais
poderão sair das dívidas. É por isso que o método de carregar dívidas ainda mais
elevadas sobre estes países é estranho e mal intencionado.
Viva o mercado único dos capitais
Não devemos esquecer que estes países não tinham grandes problemas
inultrapassáveis no momento em que entraram na zona euro. Do contrário, não
teriam sido admitidos. De facto, os problemas começaram com a sua adesão ao
euro. É que simultaneamente a livre circulação dos capitais também se tornou um
facto. Bancos existentes dos países do euro afluíam maciçamente para fornecer
empréstimos baratos aos novos cidadãos do euro. E uma vez que, com um mesmo
capital, os bancos são autorizados a fornecer duas vezes mais hipotecas do que
empréstimos para outras utilizações, foram sobretudo habitações o que foi
financiado. Os banqueiros esqueceram, contudo, que as pessoas não têm
necessidade só de um espaço para habitar, mas também de receitas para
reembolsarem seus empréstimos. Eles deveriam ter financiado suficientemente
também as actividades económicas. Não foi o que aconteceu. Assim, uma primeira
vaga de novos cidadãos do euro encontrou-se com dívidas de que nunca mais poderá
sair. O mercado imobiliário afunda-se. Os empresários e seus fornecedores abrem
falência, deixando atrás de si uma paisagem desoladora de quarteirões de
habitação vazios e não acabados.
As regras problemáticas do euro
Além disso, é preciso saber que os "países com problemas" eram assim designados
devido ao facto de que não respondiam às exigências apresentadas pela zona euro,
ou seja, um défice orçamental máximo de 3% do PIB e uma dívida do Estado máxima
de 60% do PIB.
[7] Normalmente não há qualquer problema para um país quando a dívida é o
dobro; quando, por exemplo, elas são contrabalançadas por haveres públicos, como
é o caso da Grécia. E um défice orçamental de mais de 3% tão pouco deve ser um
problema para um país. De facto, o único problema era que os limites colocados
pela zona euro se verificaram irrealistas. Quase nenhum dos países membros podia
atendê-los. Poder-se-ia dizer que aqueles que estabeleceram exigências não
factíveis eram grandes estúpidos, bem como os ministros que prometeram
respeitá-las. Seja como for, trata-se de um meio simples para provocar uma
crise.
Ovelha negra
Porque quase todos os países haviam ultrapassado os limites fixados, era útil
desviar as atenções e apontar com o dedo o aluno mais desobediente. Para a
Grécia, eles montaram mesmo toda uma campanha de difamação, na qual participaram
igualmente políticos mentirosos holandeses. A Grécia teria escondido a sua
dívida
[8] , os gregos era ociosos e partiam cedo para a reforma, etc.
[9] Rapidamente a Grécia foi atacada de todo lado e teve de pagar juros cada
vez mais elevados para os seus empréstimos. Felizmente seus companheiros de
classe do euro queriam mesmo ajudar. Jan Kees prometeu mesmo que nós ganharíamos
dinheiro com ela.
Dinheiro é poder
Depois de acabar de manobrar a sua vítima e levá-la a perturbações – mais uma
vez: a Grécia não tinha um problema inultrapassável quando acedeu à zona euro em
2001 – então pode-se aplicar a política da cenoura e do bastão: nós lhe
forneceremos empréstimos, mas na condição de... O FMI tem meio século de
experiência com este tipo de abuso de poder. Ele aplicou esta política
deliberadamente em muitos países em desenvolvimento. Primeiro o país é
sobrecarregado de empréstimos, de modo a que já não possa sequer pagar os juros.
Estes empréstimos são concedidos para projectos definidos. Estes geralmente são
executados por empresas estrangeiras. São elas que recebem o dinheiro dos
empréstimos. O país fica com as dívidas. A seguir vende-se tudo o que o país tem
de valor a investidores estrangeiros. E, naturalmente, o governo deve cortar as
despesas até o osso e a população deve sangrar, para que se compreenda que o FMI
é o mestre.
Captura do poder da Comissão Europeia
Se bem que o artigo 122.2 do Tratado sobre o funcionamento da União Europeia
(TFUE)
[10] permita ao Conselho Europeu fornecer ajuda financeira membros em
aflição (sobre proposta da Comissão Europeia), os lobos da Comissão Europeia não
podiam resistir à tentação de erigir o seu próprio FMI ou, mais precisamente, um
irmão europeu, que colaboraria estreitamente com o FMI.
Eles avançaram rapidamente, em Maio e Junho de 2010, com o EFSM e o EFSF. Eles
tinham um carácter provisório e uma base legal falível. Recentemente a
capacidade de empréstimo do EFSF foi aumentada até 1.000 mil milhões de euros
(isso representa 3300 euros por cidadão europeu).
O sucessor é o MEE. Assinado em 11 de Julho de 2011, ele aguarda ratificação
pelos Parlamentos nacionais entre esta data e 31 de Dezembro de 2011. O MEE terá
um carácter permanente e o poder de exigir somas ilimitadas dos cofres de Estado
e de os emprestar sob o risco e as despesas dos cidadãos do euro. Eles começam
com um capital social de 700 mil milhões (2100 euros por cidadão da eurozona),
mas já falam em montantes de 1500 a 2000 mil milhões, de que pensam ter
necessidade...
A emenda do artigo 136
O MEE baseia-se numa emenda do artigo 136 do TFUE aprovada em 23 de Março de
2011
[11] , que de facto constitui um acréscimo de poder da União Europeia. E
porque esta emenda baseia-se no artigo 48.6 do Tratado da União Europeia (TUE),
isso é ilegal.
[12] Mas em Bruxelas eles marimbam-se e mesmo os Parlamentos nacionais
consideram as regras democráticas não suficientemente importantes para recusar
esta construção ilegal. Com efeito, a consequência seria que a população deveria
primeiro pronunciar-se sobre esta extensão do poder de Bruxelas. E este povo
débil certamente votaria contra.
O MEE terá o poder de esvaziar os cofres dos Estados sem que os Parlamentos
possam se opor. Além disso, esta emenda – estritamente de acordo com o texto –
torna possível toda uma pilha de outras instituições anti-democráticas que, sob
o pretexto de combater a instabilidade do euro, poderão limitar os efeitos da
legislação nacional e os direitos dos cidadãos.
Shock and awe
Criar
uma crise e capturar o poder. É no momento em que o país está totalmente
desorganizado que se pode ordenar as coisas à vontade. É um cenário violento que
os defensores da economia do mercado livre têm aplicado desde há décadas em
muitos países, como a Inglaterra, Polónia, China, África do Sul, Rússia e
Estados Unidos. Recomendo um dos livros mais esclarecedores da nossa era:
A doutrina do choque , de Naomi Klein – uma leitura obrigatória.
Agora é a vez da Grécia. A difamação fez o seu trabalho. Os cidadãos nos outros
países euro quase não protestam, e quando o fazem é contra a possível perda do
seu dinheiro que os Fundos de Pensão ali investiram. Mas se eles reflectissem um
pouco mais compreenderiam que um dia, talvez já amanhã, também eles poderão
manobrados dentro de dívidas, pelos fundos de socorro. Isso poderá acontecer de
repente, anunciado por um título na imprensa como "Crédit Agricole em risco de
falência".
Círculo vicioso
Entretanto, no pânico criado, os Parlamentos aceitam medidas de urgência que na
véspera não haviam sequer imaginado serem propostas. Agora o dinheiro dos fundos
de socorro deve igualmente servir para salvar os bancos. Criámos portanto um
círculo vicioso: os bancos causam os problemas, eles podem lucrar directa e
indirectamente dos empréstimos concedidos através das medidas de urgência e
agora podem emprestar ainda mais temerariamente, pois as perdas eventuais serão
pagas pelos cidadãos do euro!
Abaixo a tomada de decisões por unanimidade
Retorno ao nosso MEE. Este tratado pode funcionar ou tornar-se caduco conforme
os 17 ministros das Finanças sejam unânimes ou não. A Comissão Europeia e o BCE
têm confiança na sua influência para por os 17 narizes no mesmo sentido.
Na verdade, não é necessário que sejam todos os 17. Uma decisão é igualmente
válida quando os ministros não estão todos presentes. Cada ministro representa
um certo número de votos, relacionado com o capital subscrito pelo seu país (ver
tabela abaixo ). Quando 2/3 dos ministros representando 2/3 do número total
de votos estiverem presentes, eles podem votar validamente. E não votar não
impede uma decisão unânime – desde que ninguém vote contra.
Em teoria, um ministro cabeçudo de um pequeno país poderia estragar a festa. Mas
seja dito de passagem que ele terá de dispor de uma grande coragem. Barroso não
quer mais disso. Ele quer que todos os tratados europeus sejam modificados e que
as decisões não precisem mais de ser tomadas por unanimidade. Para o MEE, por
exemplo, isso significaria que se a Alemanha, a França, a Itália e os Países
Baixos estiverem de acordo, os outros 13 não têm mais nada a dizer. Viva a
ditadura de Bruxelas! Viva a União Europeia!
Imunidade
Já estamos habituados a que administradores e representantes do povo não gostem
de responder pelas suas palavras e seus actos. Mas no MEE, eles realmente
empurram muito a rolha. As regras foram estabelecidas de tal modo que todos
aqueles que fazem parte ou trabalham ali poderão ou não fazer como quiserem sem
que tenham de responder perante nenhum Parlamento, nenhuma administração nem
nenhum juiz. Em casos extremos, um ministro das Finanças poderá ser substituído
por outro, que se beneficiará imediatamente dos mesmos privilégios exorbitantes.
Um criminoso não poderia desejar um melhor refúgio.
Uma última reflexão
A União Europeia tem a economia do mercado livre como seu princípio declarado.
Quase todo o mundo já compreendeu que a desregulamentação dos bancos, a
privatização das infraestruturas e a abolição das tarefas do governo conduzem a
uma sociedade dura e fustigada por crises. Estes princípios estão ultrapassados.
Seus defensores não poderão impô-los senão pela violência. A Grécia não será a
última vítima.
08 Outubro 2011
Anexo: Repartição dos votos dos Governadores do MEE, em relação ao capital
social subscrito
| Membro do MEE |
Nº de acções |
Subscrição de capital (EUR) |
| Kingdom of Belgium |
243 397 |
24 339 700 000 |
| Federal Republic of Germany |
1 900 248 |
190 024 800 000 |
| Republic of Estonia |
13 020 |
1 302 000 000 |
| Ireland |
111 454 |
11 145 400 000 |
| Hellenic Republic |
197 169 |
19 716 900 000 |
| Kingdom of Spain |
833 259 |
83 325 900 000 |
| French Republic |
1 427 013 |
142 701 300 000 |
| Italian Republic |
1 253 959 |
125 395 900 000 |
| Republic of Cyprus |
13 734 |
1 373 400 000 |
| Grand Duchy of Luxembourg |
17 528 |
1 752 800 000 |
| Malta |
5 117 |
511 700 000 |
| Kingdom of the Netherlands |
400 190 |
40 019 000 000 |
| Republic of Austria |
194 838 |
19 483 800 000 |
| Portuguese Republic |
175 644 |
17 564 400 000 |
| Republic of Slovenia |
29 932 |
2 993 200 000 |
| Slovak Republic |
57 680 |
5 768 000 000 |
| Republic of Finland |
125 818 |
12 581 800 000 |
| Total |
7 000 000 |
700 000 000 000 |
Fontes e referências:
[1] Barroso, 28/Setembro/2011,
http://euobserver.com/19/113760
[2] Oficialmente o Banco Central Europeu não é um órgão da União Europeia.
[*] O BCE
é propriedade dos bancos centrais da zona euro. Estes, por sua vez, são
independentes dos governos nacionais no sentido de que não recebem ordens.
Eles são dirigidos por Conselhos de pessoas privadas. O euro portanto não
pertence à União Europeia, nem aos governos nacionais, mas a um cartel de
banqueiros privados em Frankfurt, a cidade dos Rothschild. A União Europeia não
pode dar ordens ao BCE, mas inversamente o BCE tem poder no interior da UE. Ele
dirige o Sistema Europeu dos Bancos Centrais, que ele sim é um órgão da UE. O
BCE e os bancos centrais da zona euro são os membros deste órgão. Até onde se
deve ir na complexidade para dar o poder de um órgão oficial a uma empresa
privada?
*
http://www.europarl.europa.eu/parliament/expert/displayFtu.do?id=73&ftuId=FTU_5.2.html&language=en
[3]
Vrijspreker , 22/Julho/2011 [*]
Tradução: O governo holandês e a Comissão Europeia contradizem-se sobre o volume
do pacote de ajuda para a Grécia. Segundo o Ministério das Finanças trata-se de
um montante de 109 mil milhões de euros, dos quais 50 mil milhões vêm dos bancos
e de outras instituições financeiras. Segundo a Comissão Europeia os governos
pagam 109 mil milhões e a eles acrescentam-se 50 mil milhões das instituições
privadas. O Banco Central Holandês (DNB) não sabe. "Também estamos curiosos para
saber como é", disse um porta-voz do DNB. O Banco Central Europeu refere-se à
Comissão Europeia.
*
http://www.vrijspreker.nl/wp/2011/07/eu-euro-reddingsactie-geklungel/
[4] Em estudos científicos sobre as "optimum currency areas" (regiões óptimas
para uma moeda) podemos distinguir os estudos centrados sobre as condições
necessárias e aqueles posteriores a 1970 (quando os políticos haviam decidido
que queriam uma moeda única) que estão mais centrados sobre os custos e os
benefícios.
Roman Horvath e Lubos Komarek em "OPTIMUM CURRENCY AREA THEORY:
AN APPROACH FOR THINKING ABOUT MONETARY INTEGRATION" (2002)
(ver tradução abaixo):
"It is possible to distinguish two major streams of the optimum currency area
literature. The first stream tries to find the crucial economic characteristics
to determine where the (illusionary) borders for exchange rates should be drawn
(1960s-1970s). The second stream (1970s-till now) assumes that any single
country fulfills completely the requirements to make it an optimal member of a
monetary union. As a result, the second approach does not continue in the search
for characteristics, identified as important for choosing the participants in an
optimum currency area. This literature focuses on studying the costs and the
benefits to a country intending to participate in a currency area."
"É possível distinguir duas correntes principais na literatura sobre as regiões
óptimas para uma moeda. A primeira corrente tentar encontrar as características
económicas cruciais para determinar onde deveriam ser estabelecidas as
fronteiras (imaginárias) para as taxas de câmbio (anos 1960 e 1970). A segunda
corrente (da década de 1970 até agora) assume que qualquer país individual
preenche completamente as exigências para torná-lo um membro óptimo de uma união
monetária. Em consequência, a segunda abordagem não continua a investigação de
características, identificadas como importantes para escolher os participantes
numa região monetária óptima. Esta literatura centra-se no estudo dos custos e
benefícios para um país que pretenda participar numa região de união monetária".
http://wrap.warwick.ac.uk/1539/1/WRAP_Horvath_twerp647.pdf
, page 7.
Friedman descreve assim as vantagens das taxas de câmbio flexíveis: "Como se
constata habitualmente, os preços e os salários num país são relativamente
rígidos e estes factores são imóveis entre países. Em consequência, aquando de
uma procura negativa ou de um choque na oferta, o único instrumento para evitar
uma inflação maior ou o desemprego é uma mudança na taxa de câmbio flexível (o
que quer dizer revalorizar ou desvalorizar a moeda). Isto trará outra vez a
economia para o equilíbrio interno e externo inicial. (...) Sob o regime de
taxas de câmbio fixas, haveria sempre o impacto desagradável do desemprego ou da
inflação".
http://wrap.warwick.ac.uk/1539/1/WRAP_Horvath_twerp647.pdf
, page 8.
[5] Yrd. Doç. Dr. Hüseyin Mualla YÜCEOL, Mersin Üniversitesi Ýktisadi ve Ýdari
Bilimler Fakültesi, Maliye Bölümü, em "WHY THE EUROPEAN UNION IS NOT AN OPTIMAL
CURRENCY AREA: THE LIMITS OF INTEGRATION"
("PORQUE A UNIÃO EUROPEIA NÃO É UMA
REGIÃO MONETÁRIA ÓPTIMA: OS LIMITES DE UMA INTEGRAÇÃO")
"A Europa não é uma monetária óptima. Contudo, em 1 de Janeiro de 1999 onze
países da UE arrancaram com uma União Monetária Europeia adoptando uma moeda
partilhada, o euro, se bem que a UE não responda a todos os critérios para uma
região monetária óptima. Além disso, aderir à UE não é a mesma coisa que aderir
ao euro, tanto para os antigos como para os novos membros".
http://eab.ege.edu.tr/pdf/6_2/C6-S2-M6.pdf
, page 66
[6] Paul de Grauwe, excertos de um discurso
(ver tradução abaixo):
"With up to twenty-seven members instead of the present twelve, the challenge
for ensuring a smooth functioning of the enlarged Eurozone will be daunting. The
reason is that in such a large group the probability of what economists call
'asymmetric shocks' will increase significantly. This means that some countries
may experience a boom and inflationary pressures while others experience
deflationary forces. If too many asymmetric shocks occur, the ECB will be
paralyzed, not knowing whether to increase or to reduce the interest rates. As a
result, member countries will often feel frustrated with the ECB policies that
do not (and cannot) take into account the different economic conditions of the
individual member countries. This leads us to the question whether the enlarged
EMU will, in fact, be an optimal currency area." (...)
"If a country is hit by negative shocks brought about by agglomeration effects,
the wage cuts necessary to deal with these shocks will inevitably be very large.
To give an example: If Ford Motor were to close down a plant in Belgium and to
invest in Poland instead, the wage cut of Belgian workers that would convince
Ford Motor not to make this move would have to be 50% or more given that the
wage not feasible, then flexibility dictates that the Belgian workers be willing
to move."
"Com vinte e sete membros ao invés dos doze actuais, o desafio de assegurar o
funcionamento suave da eurozona ampliada será terrível. A razão para isso é que
num grupo tão grande a probabilidade daquilo que os economistas chamam de
"choque assimétrico" aumentará significativamente. Isto significa que alguns
países podem experimentar um boom e pressões inflacionárias enquanto outros
experimentam forças deflacionárias. Se demasiados choques assimétricos se
verificarem, o BCE será paralisado, não sabendo se deverá aumentar ou reduzir as
taxas de juro. Em consequência, países membros muitas vezes sentir-se-ão
frustrados com as políticas do BCE que não levam em conta (nem podem) as
diferentes condições económicas dos países membros individuais. Isto nos conduz
à questão de saber se a União Monetária Europeia ampliada será de facto uma
região monetária óptima". (...)
"Se um país é atingido por choques negativos provocados pela aglomeração de
efeitos, os cortes salariais para tratar destes choques serão inevitavelmente
muito grandes. Um exemplo: Se a Ford Motor fosse encerrar uma fábrica na Bélgica
e investir na Polónia, em substituição, o corte salarial de trabalhadores belgas
que convenceria a Ford Motor a não se deslocalizar teria de ser 50% ou maior.
Uma vez que tal corte não é factível, então a flexibilidade determina que os
trabalhadores belgas aceitariam deslocalizar-se".
http://mostlyeconomics.wordpress.com/2010/06/21/were-europes-curent-problems-never-imagined/
[7] Estas são as exigência do "Pacto de Estabilidade e de Crescimento".
[8] Nikolaos Salavrakos, Membro do Parlamento Europeu em "Is there a way out?"
http://www.efdgroup.eu/news/99-the-greek-fiscal-crisis-is-there-a-way-out.html
[9] Estatísticas da OCDE
http://www.oecd.org/document/47/0,3746,fr_2649_34747_39374006_1_1_1_1,00.html
[10] Artigo 122.2 do Tratado sobre o funcionamento da União Europeia:
http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:C:2010:083:0047:0200:fr:PDF
"Quando um Estado membro experimenta dificuldades ou uma ameaça séria de graves
dificuldades, devido a catástrofes naturais ou acontecimentos excepcionais que
escapam ao seu controle, o Conselho, sob proposta da Comissão, pode conceder,
sob certas condições, uma assistência financeira da União ao Estado membro
afectado. (...)"
[11] Resolução do Parlamento Europeu de 23 de Março de 2011 sobre o projecto de
decisão do Conselho Europeu modificando o artigo 136 do tratado sobre o
funcionamento da União Europeia
http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//TEXT+TA+P7-TA-2011-0103+0+DOC+XML+V0//FR
[12] art 48.6 Treaty of the European Union
eur-lex.europa.eu
Update 6 February 2012
As was the case for the first version of the ESM-treaty of
11 July 2011, the press has apparently decided that the public should not be
informed about the new version of this treaty signed 2
February 2012.
Treaty on the Establishment of the European Stability
Mechanism (ESM)
http://www.european-council.europa.eu/eurozone-governance/esm-treaty-signature
A big difference with the first version is that the
signatories oblige themselves to pay, but in order to get a loan when they ask
for it,
they must also sign another treaty, that is not ready yet, the TREATY ON
STABILITY, COORDINATION AND GOVERNANCE IN THE ECONOMIC AND MONETARY UNION.
http://www.european-council.europa.eu/media/579087/treaty.pdf
This associated treaty will transfer many more powers to Brussels.
The ESM treaty must still be ratified by the national
parliaments before taking effect on 1 July 2012, if the countries representing
at least 90% of the shares have ratified it by then. As the press keeps silent
on this treaty, it will be difficult to have public debates on the usefulness
and consequences of the ESM, like the transfer of parliamentarian and
ministerial powers to the ESM.
portuguese:
http://www.european-council.europa.eu/media/582898/11-tesm2.pt12.pdf (if
unavailable, here a copy)
Short video:
http://www.youtube.com/watch?v=EIHC34exwZ4
spanish:
http://www.european-council.europa.eu/media/582869/01-tesm2.es12.pdf
(if
unavailable, here a copy)
short video:
http://www.youtube.com/watch?v=A9zrxk9N4e4
german:
http://www.european-council.europa.eu/media/582866/02-tesm2.de12.pdf (if
unavailable, here a copy)
Short video:
http://www.youtube.com/watch?v=d6JKlbbvcu0
estonian:
http://www.european-council.europa.eu/media/582876/03-tesm2.et12.pdf (if
unavailable, here a copy)
greek:
http://www.european-council.europa.eu/media/582879/04-tesm2.el12.pdf (if
unavailable, here a copy)
english:
http://www.european-council.europa.eu/media/582311/05-tesm2.en12.pdf (if
unavailable, here a copy)
short video:
http://www.youtube.com/watch?v=rxMOW94V6xQ
french:
http://www.european-council.europa.eu/media/582863/06-tesm2.fr12.pdf (if
unavailable, here a copy)
short video:
http://www.youtube.com/watch?v=rFTbIGahzhU
irish:
http://www.european-council.europa.eu/media/582886/07-tesm2.ga12.pdf (if
unavailable, here a copy)
italian:
http://www.european-council.europa.eu/media/582889/08-tesm2.it12.pdf (if
unavailable, here a copy)
short video:
http://www.youtube.com/watch?v=D0YM-2r8mcA
maltese:
http://www.european-council.europa.eu/media/582892/09-tesm2.mt12.pdf (if
unavailable, here a copy)
dutch:
http://www.european-council.europa.eu/media/582895/10-tesm2.nl12.pdf (if
unavailable, here a copy)
Short video:
http://www.youtube.com/watch?v=1GaH2MqXfxM
slovak:
http://www.european-council.europa.eu/media/582901/12-tesm2.sk12.pdf (if
unavailable, here a copy)
slovenian:
http://www.european-council.europa.eu/media/582908/13-tesm2.sl12.pdf (if
unavailable, here a copy)
finnish:
http://www.european-council.europa.eu/media/582911/14-tesm2.fi12.pdf (if
unavailable, here a copy)
swedish:
http://www.european-council.europa.eu/media/582914/15-tesm2.sv12.pdf (if
unavailable, here a copy)
Short video:
http://www.youtube.com/watch?v=myzgAHVBg_s
bulgarian, short video:
http://www.youtube.com/watch?v=0RbVSPIFsI8
russian, short video:
http://www.youtube.com/watch?v=G50-slShDKs
For comparison you can find a copy of the initial ESM treaty here:
xx_ESM-treaty_11_July_2011.pdf
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/ .
Tradutor português: Resistir.info, Outubro 2011
É autorizada a republicação deste artigo em jornais e sítios web.